PSOL

Nota do Alicerce diante da saída de Marcelo Freixo do PSOL

A opção do parlamentar demonstra que há uma diferença estratégica entre a posição defendida por ele e aquela que nós temos sustentado no PSOL e na sociedade.

Por Coletivo Alicerce

Na última sexta-feira o deputado federal Marcelo Freixo anunciou seu desligamento do PSOL para se filiar ao PSB. Entendemos que, com a saída do parlamentar, o partido perde uma importante figura pública, que se tornou símbolo na defesa das liberdades democráticas, no combate às milícias e na oposição aos governos Cabral, Pezão, Witzel e Bolsonaro.

Contudo, a saída de Freixo do PSOL é o último ato de um movimento que já havia sido anunciado quando o deputado declarou apoio à Lula, sem que qualquer debate sobre tática eleitoral tenha sido feito no partido, e agora se completa com a sua busca por ampliar o leque de alianças com figuras da burguesia, como Rodrigo Maia e Eduardo Paes, para a disputa do governo do Rio.

Esta opção demonstra que há uma diferença estratégica entre a posição defendida por Freixo e aquela que nós temos sustentado no PSOL e na sociedade. Para ele, o combate a Bolsonaro justifica uma ampla aliança com setores da burguesia, que só pode se consolidar com a aceitação do programa desta burguesia, almejando uma pretensa restauração democrática do regime.

Para nós, o compromisso de unidade para derrotar Bolsonaro é uma aliança pontual, pautada pela necessidade de derrotar um inimigo comum. Parte dessa disputa passa pelas eleições de 2022, mas os problemas estruturais do país precisam ser compreendidos e enfrentados antes, durante e depois das eleições. O curso de Marcelo Freixo, com sua saída do PSOL, em nada avança nesse sentido.

Este, aliás, é centro do debate que se desenrola hoje no PSOL, e que opõe aqueles que defendem uma aproximação imediata com Lula e aqueles, entre os quais nos incluímos, que apoiam a pré-candidatura de Glauber Braga. O que está em jogo é se o PSOL será incorporado, de forma passiva e acrítica, à órbita petista; ou se o partido manterá sua identidade e independência e caminhará na direção de se consolidar como um instrumento para superação dos limites do programa democrático e popular, como temos defendido.

Apesar desta polêmica, de caráter estratégico e que, por isso, não pode ser colocada em segundo plano, concordamos com Marcelo Freixo quando diz, em sua nota de desligamento do PSOL, que é necessário cerrar fileiras para derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo. E isso começa desde já, com a construção dos atos do dia 19 de junho pelo “Fora Bolsonaro”, buscando fazer com que se tornem uma ampla demonstração de força contra o governo.

Para derrotar os elementos fascistas institucionalizados e como movimento, é necessário disputar a construção de uma alternativa política independente, no sentido dos interesses históricos de trabalhadoras e trabalhadores, no conjunto da sociedade.

Seguiremos fortalecendo as lutas e buscando dar passos na construção de uma alternativa do povo que batalha.